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Como escolher um terreiro (para chamar de seu)?


Para início de conversa é bom dizer que não há uma fórmula para isso. Mas há dicas e cuidados que podemos e devemos tomar ao escolher a Casa que frequentaremos ou, como dissemos no título, que você "chamará de sua".


Em geral as pessoas chegam até um terreiro de Umbanda levados por alguém. Dificilmente a pessoa adentra um terreiro pela primeira vez só porque ouviu falar ou por estar curiosa para saber mais. As exceções são situações ligadas à saúde ou ao amor (quando este interfere até na saúde, se me entendem).


É claro que você deve dar um voto de confiança para a pessoa que te indicou determinado terreiro. E se a pessoa, ainda por cima, te acompanhar até lá, melhor ainda! Assim você poderá entender o funcionamento da Casa, a sequência ritualística, os costumes, se aclimatar ao ambiente ali formado e outros detalhes que ficam mais fáceis quando temos uma espécie de "padrinho" ou "madrinha" nos apresentando tudo com disposição e alegria.


Ainda assim cabem alguns conselhos:


- Primeiro, por mais que a ansiedade esteja a mil para resolver certas situações na sua vida, tenha paciência. Observe a Casa, converse com os médiuns incorporados em diversas Giras, vá percebendo se naquele local você se sente bem e confortável.


- Observe também como é a conduta do zelador (Pai o Mãe de Santo dirigente do terreiro) com seus filhos de Santo, se ele não grita, se trata todos iguais e com respeito. É desejável também que ele se dirija a todos, a cada Gira, e converse um pouco sobre a Casa, sobre os trabalhos do dia, enfim, é o que também chamamos de preleção.


- Parece óbvio, mas é sempre bom relembrar: na Umbanda não se cobra por atendimentos. Por outro lado, é comum os terreiros aceitarem doações de produtos e até em espécie, visando a manutenção do terreiro. Muitos terreiros têm produtos para vender (velas, alfazema, imagens, etc.) e até suas cantinas ou lanchonetes internas, tudo para ajudar a honrar as despesas. Isso tudo é normal e é importante ajudar, se você puder.


- Outro fator importante: observe se os filhos de Santo tem reverência ao dirigente, ao público consulente, enfim, se a postura deles se mostra correta perante a espiritulidade. Tudo deve estar em sincronia.


E mesmo que este terreiro cumpra estes requisitos acima, saiba que pode ser que você ainda assim não se sinta bem lá, e isso é normal. Pessoas com disposção para se tornarem médiuns em desenvolvimento também poderão ter um "feeling a mais" sobre a Casa ser ou não adequada para o seu aprendizado. "Ouça" também esta "intuição" e decida.


Procure entender também qual é a vertente que aquela Casa segue, que autores de Umbanda costuma indicar para leitura e se isso tudo terá a sua concordância. Há "muitas Umbandas" por aí e é natural ter afinidade maior com algumas do que com outras.


O amor e a caridade devem ser o norte, sempre com muita responsabilidade e equilíbrio. Seriedade e conhecimento dos envolvidos é pré-requisito, pois infelizmente ainda há muitos terreiros abrindo suas portas sem planejamento, de qualquer jeito, e isso com certeza irá interferir no trabalho espiritual oferecido.


Não basta apenas ter boas intenções: é preciso amor, caridade, conhecimento e, é claro, responsabilidade e planejamento.


E é bom lembrar, por último, que os Guias e Orixás estão sempre conosco. Nossas orações constantes são essenciais para escolhermos os melhores caminhos a cada passo em nossas vidas. O melhor caminho é sempre aquele onde nosso coração se sente me paz.


Foto: Lucas Borba Fotografia de Umbanda (Reprodução)



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